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lunes, 30 de noviembre de 2009

A dinâmica da presença brasileira no Indico e no Oriente

A dinâmica da presença brasileira no
Índico e no Oriente. Séculos XVI-XIX1
Anthony John R. Russel-Wood
Com certeza houve participação baiana — mesmo sendo às vezes constrangida— e soldados e oficiais de origem brasileira serviram na Índia no percurso do século XVIII. Um edital régio de 1748, requerendo alistamento voluntário de 1.500 soldados, para a guarnição militar da Índia, foi publicado em Salvador.14 Há notícias de soldados passando por Salvador, de volta da Índia a caminho de Portugal; contudo, há dúvidas se uma campanha para alistamento em Salvador teria reunido muitos voluntários para servir na Índia. Mesmo assim, na década de 1780, soldados de “guarnição de carreira” foram remetidos de Salvador para Moçambique, criando um problema
para o governador daquele território que não contava com recursos financeiros para pagar os soldos de tais soldados.15 Em 1786 o governador da ilha de Moçambique acusou a chegada de
dois “soldados incorrigíveis” mandados pelo governador de Salvador. Também na década de 1780, vários soldados do regimento de infantaria em Salvador foram mandados para Índia como punição por sua má conduta.
Em 1789, foram embarcados em Salvador, na nau Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio, três soldados degredados para a Índia pelos seus crimes: dois do segundo regimento de infantaria da guarnição de Salvador e um do regimento de infantaria de Pernambuco.16
http://www.revistatopoi.org/numeros_anteriores/topoi03/topoi3a1.pdf

A China no Brasil

Fonte: LEITE, José Roberto Teixeira. Introdução: A China no Brasil. In: ______. A China no Brasil: influências, marcas, ecos e sobrevivências chinesas na sociedade e na arte brasileiras. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, 1999. p. 9-24.

Muitas foram as ocasiões em que soldados do Brasil seguiram de Salvador com destino às mais remotas paragens do Império Ultramarino Português, a fim de reforçar guarnições regionais. Para a Ásia inclusive: em 1672, por exemplo, quando o governador da Bahia fez embarcar no galeão São Pedro de Rates, com destino à Índia, toda uma companhia de infantaria; ou em 1725, quando 42 praças baianos partiram na fragata Santo Antônio de Pádua para engrossar tropas no Oriente; ou ainda em 1748, ano em que se abriu na Bahia alistamento para 1.500 soldados que deveriam servir por 6 anos no Estado da Índia, ao termo dos quais era-lhes garantida a viagem de volta. Tudo isso serve para justificar a afirmativa de Amaral Lapa, de que em inúmeros chãos onde pisaram os pés portugueses o Brasil esteve diretamente presente.
Se é muito provável que a maior parte desses marinheiros, soldados, oficiais mecânicos e criminosos que deixaram a Bahia com destino à Ásia por lá ficaram - sem recursos para voltar, mortos na travessia marítima ou em combate -, é possível que outros tantos tenham logrado retornar, trazendo então experiências, observações e vivências que podem ter posto em circulação em nossa sociedade colonial. E nem eram só eles os que, procedentes da Índia ou da China, podem ter contribuído para a introdução no Brasil de modismos orientais: também incontáveis clandestinos e desertores, religiosos, enfermos de volta à Europa e que por aqui iam ficando .............. Também aqui cedamos a palavra a Amaral Lapa:
................Muitos soldados das guarnições portuguesas do Oriente embarcaram para o Brasil, sem licença dos superiores, mas quase sempre sob as vistas condescentes de oficiais das naus. Acabaram ficando por aqui, ou procuravam, mais tarde, ir para o Reino.12
Fonte: LEITE, José Roberto Teixeira. Introdução: A China no Brasil ...