FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO1.4 O Período Moderno na Europa.
O Exército na Capitania da Bahia entre 1750-1762
Dissertação de Mestrado de História Moderna apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto 2002
No dia 22 de Fevereiro de 1754 obtemos a indicação do reparo urgente de uma nau proveniente da índia296. A reparação era urgente porque o perigo de afundamento é evidente no documento em questão, demonstrativo do mau estado a que as embarcações chegavam.
Antes de 1754, verifica-se outro elemento: em documento do Conde de Atouguia a Diogo Mendonça Corte Real, o dito Vice-Rei envia uma letra em Março de 1751 que deveria ser cobrada ao Tesouro da Casa da índia. A quantia era de 14:618$231 rs 297 (quatorze contos seiscentos e dezoito mil, duzentos e trinta e um reis), pelo conserto executado em duas naus provenientes da índia na Bahia.
Verificámos que pela sua urgência e necessidade os trabalhos de reparação eram feitos no Brasil aquando da chegada das naus, oriundas da índia. As despesas eram distintas: assim, o Tesouro da índia deveria devolver essa quantia que tinha saído dos cofres da Bahia, tal como sucederia em situação inversa. Cada região do Brasil, África e Ásia funcionariam a nível financeiro como se de reinos distintos se tratassem. O lucro, esse sim, teria uma parcela destinada ao reino, a Lisboa.
O comandante da fragata "Nossa Senhora das Necessidades" envia uma relação das pessoas a bordo, provenientes da índia. O Desembargador António Pereira da Silva era um dos presentes e deveria permanecer na Bahia. O rol de passageiros indica ainda uma outra personalidade importante, o Marquês de Aloma. O quadro seguinte apresenta-nos os dos passageiros da referida nau: (OlharQuadro)
Esta exposição permite-nos conhecer informação vária, entre ela a debilidade de higiene e condições de saúde, pelo "escrebuto": comparando com as viagens do reino para a índia no séc. XVI, confirmamos não existirem grandes alterações: «que dous mil soldados, que vão ordinariamente em três Nàos para a índia cada anno, morre grande parte délies na viagem; porque como vão sete centos e oito centos, e inda mais numa Nào, naturalmente adoece, e falece grão número deites por se corromper o ar dentro das cobertas com os bafos, e immundicias": ou seja, no séc, XVIII, relativamente às condições de higiene e transporte, não se verifica grandes alterações em relação aos séculos anteriores. O número de pessoas a bordo era ainda grande para as condições existentes, situação agravada no caso dos escravos, que amontoados para maior aproveitamento do espaço disponível.
Mostrando entradas con la etiqueta 1750-Asiaticos soldados en Brasil. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta 1750-Asiaticos soldados en Brasil. Mostrar todas las entradas
lunes, 22 de noviembre de 2010
domingo, 6 de septiembre de 2009
Vicissitudes de um império oceânico:
Vicissitudes de um império oceânico: o recrutamento das gentes do mar na América portuguesa (séculos XVII e XVIII) .Luiz Geraldo Silva
Graduado em História pela Universidade Federal de Pernambuco, Mestrado em História do Brasil pela mesma Universidade e Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. É Professor Adjunto da Universidade Federal do Paraná e tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Colônia.
Funcionários da Casa da Índia declararam em 1712 que muitos navios da carreira não teriam alcançado Portugal “se não fosse o trabalho contínuo dos escravos negros que vão neles”. Em 1738 o Vice-Rei da Índia, D. Pedro de Mascarenhas (1732-1740), afirmou que quando não havia escravos provenientes de Moçambique nos galeões estes não podiam navegar. Segundo ele, os escravos negros eram empregados nos navios “como trabalhadores no convés realizando o trabalho duro, como acontece geralmente”.6
Ao mesmo tempo, a navegação marítima portuguesa interna ao Índico e ao Pacífico passou a empregar um número considerável de marujos asiáticos desde o século XVI, e os poucos brancos que restaram nos navios ocupavam as posições superiores ou as funções de soldados ou artilheiros. Calcula-se que o número de marinheiros disponíveis no Estado da Índia em inícios do século XVI nunca tenha sido superior a 400 pessoas – um número desprezível considerando as demandas de todas as frotas que partiam de Lisboa a Goa, e vice-versa. Do mesmo modo, como se verá adiante, apelar-se-á para este recurso na América portuguesa entre os séculos XVII e XVIII: marujos foram aqui recrutados primeiro para suprir demandas da carreira da Índia, depois para suprir a Marinha Real portuguesa na Europa. Finalmente, muitos marinheiros foram incorporados às forças navais para servir na própria América, notadamente nas guerras luso-espanholas levadas a efeito no Sul do Brasil durante a segunda metade do século XVIII. Recrutar marujos entre africanos, asiáticos e, depois, entre habitantes da América portuguesa constituía, pois, prática que concorria para a manutenção de um império talassocrático que, paradoxalmente, não dispunha de um considerável contingente de pessoal marítimo em seu próprio domínio terrestre europeu.7
http://74.125.77.132/search?q=cache:z9sHWR-4TeEJ:www.revistanavigator.net/navig5/art/N5_art3.doc+marinheiros+malaios+brasil&hl=es&ct=clnk&cd=35
Graduado em História pela Universidade Federal de Pernambuco, Mestrado em História do Brasil pela mesma Universidade e Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. É Professor Adjunto da Universidade Federal do Paraná e tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Colônia.
Funcionários da Casa da Índia declararam em 1712 que muitos navios da carreira não teriam alcançado Portugal “se não fosse o trabalho contínuo dos escravos negros que vão neles”. Em 1738 o Vice-Rei da Índia, D. Pedro de Mascarenhas (1732-1740), afirmou que quando não havia escravos provenientes de Moçambique nos galeões estes não podiam navegar. Segundo ele, os escravos negros eram empregados nos navios “como trabalhadores no convés realizando o trabalho duro, como acontece geralmente”.6
Ao mesmo tempo, a navegação marítima portuguesa interna ao Índico e ao Pacífico passou a empregar um número considerável de marujos asiáticos desde o século XVI, e os poucos brancos que restaram nos navios ocupavam as posições superiores ou as funções de soldados ou artilheiros. Calcula-se que o número de marinheiros disponíveis no Estado da Índia em inícios do século XVI nunca tenha sido superior a 400 pessoas – um número desprezível considerando as demandas de todas as frotas que partiam de Lisboa a Goa, e vice-versa. Do mesmo modo, como se verá adiante, apelar-se-á para este recurso na América portuguesa entre os séculos XVII e XVIII: marujos foram aqui recrutados primeiro para suprir demandas da carreira da Índia, depois para suprir a Marinha Real portuguesa na Europa. Finalmente, muitos marinheiros foram incorporados às forças navais para servir na própria América, notadamente nas guerras luso-espanholas levadas a efeito no Sul do Brasil durante a segunda metade do século XVIII. Recrutar marujos entre africanos, asiáticos e, depois, entre habitantes da América portuguesa constituía, pois, prática que concorria para a manutenção de um império talassocrático que, paradoxalmente, não dispunha de um considerável contingente de pessoal marítimo em seu próprio domínio terrestre europeu.7
http://74.125.77.132/search?q=cache:z9sHWR-4TeEJ:www.revistanavigator.net/navig5/art/N5_art3.doc+marinheiros+malaios+brasil&hl=es&ct=clnk&cd=35
Suscribirse a:
Entradas (Atom)
